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Diario de Pernambuco: Web se abre à mídia colaborativa

Diario de Pernambuco, 23 de agosto de 2005

Há 10 anos, quando a internet começou a se popularizar, o desejo de uma grande interatividade entre público e Imprensa parecia ter-se tornado realidade. Entre enquetes e janelas para comentários, algum tempo se passou antes que a forma de se comunicar realmente tomasse novos contornos, cada vez mais definidos pelo que se chama de mídia colaborativa, ou open source (código aberto). São vários nomes para a mesma forma de fazer jornalismo, um movimento na mídia que faz parte de um maior: o da cultura livre, cuja força motriz é o conceito do copyleft, território já bem explorado pelo desenvolvimento de softwares livres como o GNU/Linux, e pela música baixada e sampleada nos quatro cantos do planeta. Claro que o modelo não é novidade (um dos primeiros exemplos de texto colaborativo é o Antigo Testamento), e muito menos está ligado a ativismos ideológicos específicos. Grandes grupos – como o LA Times, a BBC de Londres e a Current TV, emissora que tem como um dos sócios o político americano Al Gore, têm investido nesta forma de produzir notícias.

No Brasil, um dos primeiros sites colaborativos é o Parla, mantido pela jornalista gaúcha Ana Maria Brambilla. A confiabilidade deste modelo de noticiário é um dos focos de sua dissertação de mestrado. “A exigência de cópia do RG, foto e outras informações sobre o cidadão-repórter está diretamente relacionada à busca pela credibilidade do conteúdo. Para além disso, a maior proteção que se pode criar contra o vandalismo da informação vem de uma estratégia ofensiva, ou seja, ninguém é somente leitor e, no momento em que todos podem interferir no conteúdo, todos tornam-se responsáveis por ele”, analisa Brambilla.

De acordo ela, a mídia colaborativa se aproxima mais dos fatos do que no noticiário convencional. “A razão é simples: os cidadãos-repórteres escrevem sobre seus cotidianos, sobre aquilo que mais têm domínio e, portanto, propriedade para relatar. São narrativas que aproximam ao máximo o leitor e a fonte”, avalia. Mas e quanto aos profissionais? Brambilla garante quenão precisam jogar os diplomas fora. “Se admitirmos a participação do público na construção da mensagem midiática, o trabalho do jornalista só tende a enriquecer em detalhes e aproximar-se ainda mais de sua razão de ser – o público”.

Em Pernambuco, a primeira experiência no formato colaborativo entrou no ar no início deste mês. O site cultural Rodape acumula nove seções, assinadas por uma equipe fixa e por internautas cadastrados. “A idéia surgiu quando estava elaborando o trabalho de conclusão de curso de Jornalismo e cheguei à conclusão que uma das formas de fazer com que o internauta volte ao site é fazer com que, de alguma forma, ele deixe sua marca por lá”, relata o jornalista Walmar Andrade. Além de publicar textos, os leitores podem alterar o que já está publicado. “O Reescreva é lido e, se aprovado, publicado com a assinatura do internauta”, explica.

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